Câmara sedia evento sobre participação da mulher na política

A Câmara de Ananindeua foi palco, na manhã da última terça-feira (27), de um evento sobre a participação feminina na política. Organizado pelo Fórum de Enfrentamento à Violência contra a Mulher de Ananindeua e pelo Conselho Municipal de Defesa da Mulher, a palestra foi proferida pela Professora Doutora Luzia Miranda Álvares, do Grupo de Estudos e Pesquisas Eneida de Moraes, da UFPA. Participaram, além de vereadores e servidores da Câmara, mulheres representantes de partidos políticos, de órgãos municipais e estaduais e outras interessadas no tema.

Em sua apresentação, a Professora Luzia Miranda abordou a origem dos modelos e papéis associados à mulher, como de inferioridade e submissão; fez um apanhado sobre a participação da mulher nas atividades públicas, sua luta por direitos e suas conquistas; explicou sobre níveis de participação política e empoderamento; e mostrou percentuais da participação feminina em cargos eletivos no estado.

Para a pesquisadora, é importante apontar o percurso histórico que produziu os modelos femininos de submissão, ao mesmo tempo em que se evidencia como as mulheres, ao longo do tempo, conseguiram superar os limites impostos. “Nossa preocupação é levar essa visão de que as mulheres podem. As mulheres que tentam ascender ao poder hoje precisam conhecer os exemplos de mulheres antigas que eram abafadas mas que mesmo assim conseguiram fugir disso”, pontuou.

A vereadora Pastora Ray Tavares (PMDB) foi uma das participantes e opinou que as mulheres ainda não acreditam no seu potencial de ser representativas e não apenas passivas. “Somos maioria nas chefias de gabinete, nas coordenações de campanhas, na gerência de entidades de trabalhos sociais. Fazemos os trabalhos e damos nas mãos dos homens para nos representar”, disse. Ela também citou o número pouco expressivo de vereadoras em Ananindeua, que nunca passou de três parlamentares mulheres, para as 25 cadeiras existentes na casa.

Outro ponto criticado pela parlamentar foi a prática de partidos políticos de preencher suas vagas apenas por questão das cotas exigidas em lei, sem realmente investir nas candidaturas femininas. Para a Pastora Ray, as mulheres precisam mudar sua atitude frente a isto. “Não podemos mais nos submeter a colocar nossos nomes apenas para saciar a necessidade de uma equipe machista. Não devemos mais emprestar nossos nomes. Só assim os partidos vão investir em nós”, enfatizou.

Data da Matéria: 26/07/2018 00:16